Imortais

Imortais

É pena que algumas pessoas envelheçam e morram.

Imaginem Groucho Marx fazendo estandape.

Millôr comentando o governo Bolsonaro na CBN.

Nelson Rodrigues respondendo, em seu canal no iutube, aos vídeos da Zélia Duncan e do Caetano.

Buster Keaton, Marty Feldman, Golias, Peter Sellers, Jerry Lewis e Costinha numa série da Netflix – escrita pelo Barão de Itararé.

Carmen Miranda gravando um CD de inéditas de Jackson do Pandeiro, com Pixinguinha no sax, Naná Vasconcelos na percussão, Rafael Rabelo no violão e Jacob no bandolim.  Elis e Ademilde Fonseca dividiriam os vocais com o Bando da Lua.

Imaginem as parcerias de Noel Rosa e Aldir Blanc, Guinga e Vinícius de Moraes, Chiquinha Gonzaga e Dolores Duran.

Jardel Filho na próxima novela das nove, escrita por Janete Clair, num triângulo amoroso com Sandra Bréa e Yoná Magalhães.

Roda Viva com João Ubaldo, Ruy Barbosa, Paulo Francis e Carlos Lacerda, tendo como mediadora Leila Diniz – e entrevistando o Weintraub, por exemplo.

Garrincha e Nilton Santos titulares do Botafogo.

João do Rio colunista d’O Globo, Cecília Meirelles na Folha, Drummond no Estadão.

O insta da Tarsila.

O tuíter da Dercy Gonçalves.

O feice da Clarice Lispector (só com textos realmente escritos pela Clarice Lispector!).

O tinder da Luz del Fuego.

Um reality de celebridades, com Janis Joplin, James Dean, Cazuza, Amy Winehouse, Elvis, Elke Maravilha, Simonal, Tim Maia e Clodovil.

Um “Largados e Pelados” com Marilyn Monroe e Johnny Weissmuller.

Um “De férias com o ex” com Elizabeth Taylor, Chico Anysio, Zsa Zsa Gabor, Pablo Picasso, Casanova, Henrique VIII – e participação especial de Gretchen e Fábio Júnior.

Um “Catfish” com Adam West e Christopher Reeve.

Um “Irmãos à obra” com Le Corbusier & Frank Lloyd Wright ou Sérgio Bernardes & Vilanova Artigas.

Um “Domingão do Chacrinha”, um “Encontro com Hebe Camargo”, um “Conversa com o Abujamra”, um “Edna Savaget by night”.

E, claro, um programa de escolha de vestidos de noiva, apresentado pelo Jonathan Harris, o Dr. Smith.

A morte devia ser menos democrática e mais seletiva.

Todos os tons de verde e amarelo

tons

Confira a coluna de hoje n’O Globo:

Todos os tons de verde e amarelo

 


 

Nem todo mundo que votou no Bolsonaro ou que torce para que seu governo dê certo quer o desmatamento da Amazônia, a submissão feminina, a desigualdade racial, a corrida armamentista da população.

Nem todo mundo que votou contra o Bolsonaro ou que torce para que seu governo dê errado quer a corrupção, o inchaço da máquina estatal, o aparelhamento do Judiciário, as escolas como foco de doutrinação.

O vermelho que tinge as manifestações da esquerda (derrotada nas urnas) não é um vermelho chapado – há nuances de anseios democráticos e totalitários, de idealismo e de ódio,

Com o verde e amarelo que dá às manifestações da direita (vencedora nas urnas) um ar de Copa do Mundo ,é a mesma coisa – há um quê de esperança e de revanche, de racionalidade e de força bruta.

É possível ser “de esquerda” e a favor de princípios éticos e da democracia.

É possível ser “de direita” e pró direitos humanos, inclusão, preservação do meio-ambiente.

Nas manifestações, sejam quais forem as cores das bandeiras, me lembro sempre da canção do Milton Nascimento e do Fernando Brant:

“Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar

Aqui vive um povo que cultiva a qualidade:
Ser mais sábio que quem o quer governar.”