Contradizeções do idioma

Gramatica

Ontem uma moça se contradizeu, e jamais uma contradizeção fazeu com que tanta gente se disposse a discutir conjugação verbal.

Quem nunca falou “eu fazi” ou “eu dizo” quando tinha 5 anos de idade que atire a primeira gramática.

Falar bem um idioma não é dominar suas regras: é decorar as exceções. As anomalias. As idiossincrasias. As frescuras.

A primeira pessoa que disse “eu disse” é que devia ter sido corrigida por ser contradizetória. Pela lógica, a conjugação do verbo dizer era para ser

Eu dizo
Tu dizes
Ele dize
Nós dizemos
Vós dizeis
Eles dizem

Mas ai de quem maldizer a excepcionalidade desta conjugação.

Se deixássemos as crianças falarem de acordo com a sua inteligência, o português seria quase uma ciência exata.

Porque o cérebro adquire um conhecimento e passa a aplicá-lo, a fazer deduções lógicas. Isso funciona muito bem na matemática (uma regra de 3 funcionará da mesma maneira quaisquer que sejam os números envolvidos), na química, na física.

A língua é outro departamento.
Ela é de humanas.
E é aí que a porca torce o rabo.

Eu dizi
Tu dizeste
Ele dizeu

Eu me contradizi
Tu te contradizeste
Ele (ou ela) se contradizeu

Simples assim. Se o idioma sêsse cartesiano, claro.

Você dizerá que faltou revisão.
Eu dizo que faltou leitura.

É lendo que absorvemos essas particularidades, nos familiarizamos com elas.

Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê – já dizeu Monteiro Lobato.

A moça ainda se contradizerá muitas outras vezes.
Já quem escreveu a nota no jornal terá que fazer o dever de casa, e aprender com Monteiro Lobato: se eu mal leio, mal ouvo, mal falo, mal veio.

Anúncios