Yes, nós temos banana

banana

Lembra quando havia hiperinflação e a gente fazia compra do mês, pondo no carrinho primeiro o item mais caro, porque se deixasse para pegar no final o preço já era outro?

Compra do mês não era só comprar muita coisa de uma vez – havia ali ciência e arte. Um norráu que perdemos ao fazer comprinha picada.

Comprava-se para o mês apenas o que não fosse perecível. Ou o que, mesmo perecível, desse para congelar. Verduras e certas frutas tinham que ser compradas na feira, no dia a dia.

Eu tinha me esquecido disso. Na “compra de quarentena” (que achei que fosse ser só um mês), comprei, desavisadamente, um cacho enorme de banana – imaginando a cena de novela: passar pela fruteira, displicentemente pegar uma banana, descascá-la como quem despe uma camisola (ou um moletom, aí vai da fantasia de cada um) e ir comer na varanda, com a brisa soprando nos cabelos e a olhar, ao longe, o mar.

Só que banana é uma fruta muito burra. Em vez de amadurecer uma de cada vez, ordeiramente, elas amadurecem todas ao mesmo tempo.

Daí que ontem me vi com a cozinha tomada por um enxame de drosófilas e diante do desafio de ter que escolher entre uma overdose ou um desperdício de banana.

Mas lembram da Kelly Cristina, do texto de outro dia? Pois é, vou acabar acreditando nela. Adivinhem o que me chega via zap, naquele exato instante? Uma mensagem da Calu exibindo, orgulhosa, a gororoba que tinha acabado de fazer. (Sim, as pessoas fazem isso. Cozinham gororoba e mandam foto pros amigos taurinos.)

A gororoba, segundo ela, era doce de banana. (Pelo visto, faltou norráu de compra do mês lá na Urca também).

– Como é que faz? – perguntei, sabendo que ia desistir ao saber como é que fazia.

– Três colheres de açúcar, deixa começar a queimar, joga a banana picada e mexe até cozinhar.

Parecia mais fácil que fazer gelo na forminha. E era.

Descobri que podia ter comido doce de banana a vida inteira sem depender da bondade de estranhos.  E sem ter que tirar o cravo – porque, sim, ao contrário do que sempre me pareceu ser uma verdade absoluta, é possível fazer doce de banana sem cravo: é só não colocar o cravo, que ele não vai sozinho.

Claro que vou refinar a receita. Três colheres de açúcar foram um exagero (ou a Calu não comprou só um cacho, mas todo o carregamento do Ceasa).  E deve ser mais rápido se a banana for amassada, não picada. Um pouco de suco de limão deve cair bem, para dar acidez (a crocância fica para quando me ensinarem a fazer bráune de liquidificador).

E não pode mexer redondo. Doce não é samba, que balança de um lado pro outro. Tem que ser como jazz, que mexe pra frente e pra trás. E pra fazer basta ter talento culinário de menos e bananas demais.

3 comentários em “Yes, nós temos banana

  • Eduardo Affonso, vou lhe ensinar 2 coisas:
    – qdo comprar bananas, tire-as da penca, cortando com a faca. Assim elas não cairão da penca e não criarão mosquinhas. Aprendi há anos na internet. É show!
    – refogue uma cebola, depois refogue um tomate picado sem pele e sem semente e acrescente a banana picada. Coloque sal, umas gotas de Tabasco e cozinhe rapidamente. Vão desmanchar. Misture bem e sirva. Delícia!
    Abraços

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