Receita de batata frita da Tia Rosa

batata

Batata frita é muito simples de fazer. Mas antes é fundamental lembrar que os sumérios não conheciam a batata, muito menos a batata frita. Não há qualquer registro de receita de batata frita em escrita cuneiforme. Tampouco os babilônios, na Mesopotâmia, nos legaram qualquer documento acerca dessa receita. Não há, entre os egípcios, seja nas tumbas, seja nos papiros, nenhum hieróglifo que signifique batata frita – ou french fries, como era chamada pelos pais fundadores dos Estados Unidos da América, entre eles John Adams, Benjamin Franklin, John Hancock, Samuel Tuntington, Thomas Jefferson, Artur Middleton, Richard Stockton, John Witherspoon e Charles Thomson.  Entretanto, mesmo povos anteriores, como os neandertais, deixaram gravadas inscrições rupestres retratando bisões, mastodontes e outros animais pré-históricos, mas nenhuma imagem que, à luz da moderna antropologia e da hermenêutica, possa ser identificada como batata frita.

Peço vênia para lembrar aqui que tampouco há registro de consumo de batata frita na cantina da saudosa Biblioteca de Alexandria, louvada pelo autor argentino Jorge Luís Borges, nascido em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899 e falecido em Genebra, em 14 de junho de 1986, e cujas cinzas jamais foram recuperadas – ressalto aqui que me refiro às cinzas da grande biblioteca, não as do escritor, que encontra-se sepultado no Cemitério de Plainpalais, na Suíça, tendo sua tumba uma inscrição em  inglês antigo, tirada do poema Battle of Maldon, que pode ser traduzida como “não tenhas medo de nada”.

É de vital importância apontar que Gengis Khan, nascido por volta de 1162 nas proximidades do rio Onon, perto do lago Baikal, na Mongólia, possivelmente jamais provou batata frita. E nisso ele se iguala, hermeneuticamente, a Alexandre o Grande, ou Alexandre III da Macedônia, que, nos curtos 33 anos de sua existência, tampouco provou esta iguaria, apesar de haver emprestado seu nome ao verso de 12 sílabas, formado de dois hemistíquios, tão caro aos parnasianos, como Théophile Gautier  Théodore de Banville e o saudoso Sully Prudhomme, autor do poema Le Zénith, publicado na Revue des deux mondes, em 1876.

Escavações em sítios arqueológicos nos revelaram ossadas quase completas de um Pukyongosauro na Coreia do Sul, de um Megalossauro bucklandii na Inglaterra e do Tropeognathus na bacia do Araripe, no nordeste brasileiro, e que se perdeu no lamentável incêndio do Museu Nacional, que ocupava o Paço Imperial Quinta de São Cristóvão, residência da família real desde a proclamação da independência do Brasil, em 1822, por Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.  Mas nem um único fóssil de batata frita foi encontrado.

Nenhum dos filósofos gregos, de Aristóteles a Empédocles, de Anaximandro a Tales de Mileto, jamais colocou uma batatinha frita na boca. Mesma sorte tiveram Plutarco, Zenão de Eneia, Leucipo, Cleante de Assos, Teofasto, Alcmenao de Crotona e Aristóxenes, o que nos leva a crer – salvo melhor juízo – que a batata frita nada teve a ver com o apogeu do mundo helênico.

Não quero me estender demasiadamente, mas não posso deixar de lembrar que também nem os inuites, os bantos, os hunos e os txucarramãe sabiam o gosto da batata – e consequentemente, da batata frita – que é originária da Cordilheira dos Andes e só chegou ao resto do mundo após a descoberta da América pelo navegador genovês Cristóvão Colombo, cujo sobrenome significa “pombo”, uma ave columbiforme da família Columbidae. Dito isso, para não me alongar mais, pega a batata, descasca, pica e frita.  Essa é a minha receita.

 

 

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