Um dia de greve

Greve 1

(Manhã.  Cozinha)

– Bom dia, amor. O café tá na mesa.

– Hoje não quero isso.

– Mas você ama pão com leite condensado!

– É pão francês.

– Ok, tem, brioche, croassã…

– Não fale essas palavras! E tire esse patê perto de mim!

– Tá bom, tá bom.  Você vem pra almoçar? Tem filé, suflê, maionese…

– Eu odeio maionese! Eu odeio suflê! Eu odeio pavê! Eu odeio omelete! Eu nunca mais como musse!
(Sai batendo a porta.)

~
(Tarde. Gabinete de trabalho)

– Chefe, prepare-se para a revanche:  descobrimos um complô no comitê. Eles estão fazendo chantagem, mas nós temos um dossiê com as gafes do premiê, e o pivô é….

– Fora daqui! Ou eu mando baixar o cassetete, quer dizer, baixar o cacete!
~
(Noite. Quarto do casal)

– Tomou banho, amor? Tá cheiroso, passou perfume…
– É Jequiti.

– Hmmm, olha só o que eu ganhei: uma langerri novinha. Muito chique, bordô, em vez daquela bege, tão demodê.

– Tira isso! Agora!

– Calma. Deixa eu retocar o batom, acender o abajur… Ei, volte pra debaixo do edredom! Nem pense em já ir saindo à francesa!

– Vou tomar um banho.

– Mas você já não tinha tomado?

– Hoje vou tomar quatro! Só de pirraça.

 

(A caminho do toalete, pegou a bic que estava na pochete, quebrou, e jogou, triunfante, no bidê.)

4 comentários em “Um dia de greve

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