Tensão Pré Quinta

Não sei como é com a Cora, o Ricardo ou o Helinho, mas eu não consigo ter inspiração com hora marcada.

Aprendi a virar noite para entregar projeto no prazo (ou com pouco atraso), mas não a escrever assim, com agendamento.

Não ainda, pelo menos.

É só uma vez a cada 15 dias, mas quarta sim, quarta não, eu fico de TPQ. Tensão pré quinta. Que é o dia de mandar o texto pro jornal.

Escrevo diariamente – esse é o problema.

Toda hora rabisco alguma coisa. Tenho papel e caneta espalhados pela casa, para que o gilmarmendes ou o marcorélio do esquecimento não surjam de repente e permitam que as ideias escapem.

Anoto, dou uma burilada, mas sempre acho que vai surgir algo melhor para desenvolver. Até quarta uma boa idéia há de dar as caras. Enquanto isso, vou postando os rabiscos. E aí quarta chega e… cadê?

Olho aquele monte de postagens não mais inéditas e são atualizadas as definições de “bloqueio criativo”.

Quarta sim, quarta não, eu fico intratável.

Não com os outros: comigo mesmo. Por que não guardei aquele assunto, que acabou rendendo tanto? Mas como eu ia saber que o assunto rendia se não tivesse postado?

Burro.

(Não chamo ninguém de burro, porque é especismo, Aliás, ainda vou escrever sobre especismo. Mas a mim mesmo eu posso xingar de burro sempre que quiser – ou, pelo menos, quarta sim, quarta não – sem me sentir ofendendo os equídeos).

E não basta escrever. Tem que ter 4000 toques.

Não 3500 nem 4617.

Quatro mil.

Pense um textão. Um textão tem em torno disso.

E não é só o textão de 4000 toques. Tem que dar um título.

O título consiste em concentrar em 30 toques o que você ralou 4000 toques para dizer.

(A bem da verdade, são 3970 toques, porque os 30 do título também contam).

E ainda pode acontecer o impossível, que é o Nelson Motta, que escreve na mesma página, ter tido a mesma ideia e dado o mesmo título para o texto dele – e lá vou eu começar o trabalho de parto do título de novo.

Enfim.

Ontem foi quarta. Dia de escrever duas mil coisas e nenhumas.

(Nota mental: Preciso aprender quando é que os números são escritos em algarismos e por extenso. “2000 coisas”, “2 mil coisas” ou “duas mil coisas”? Tem uma regra, que nunca lembro qual é. Pode ser tema para uma postagem. Não para um artigo).

O texto finalmente ficou pronto, agora há pouco, em cima do laço.

E aí vem a pior parte (que não era ter a ideia, nem os 3970 toques nem o título de 30): dizer “ide em paz” e mandar para o editor.

Porque daqui a meia hora eu sei que vou conseguir um fecho melhor. Vai pousar na minha testa aquela palavra que esvoaçou, esvoaçou e não pude capturar. Vai dar vontade de inverter um parágrafo.

E não vai dar mais tempo. Ou, se der, vou levar bronca, porque o texto, a essa altura, já estará formatado.

Enfim, todo esse mimimi foi só um artifício para deixar o texto descansar uns minutos antes de eu o reler e despachar.

(Contei agora os toques: 4000, cravados, redondos. Claro que isso pode mudar, porque sempre tem um número por extenso que devia ser em algarismo, ou em algarismo que era para ser por extenso, e lá eles acertam).

Foi a última TPQ do ano. Que venham muitas outras. Ou me ensinem algum macete.

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